quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Comunicação e Cidadania

Por Clodoaldo Meneguello Cardoso

"O processo de mundialização das relações entre os seres humanos intensificou-se na história do ocidente a partir da modernidade com o capitalismo comercial. Entretanto o que hoje chamamos de globalização inclui um dado significativamente distinto: a comunicação imediata, virtual e global.
O acesso à comunicação midiática tornou-se, a partir da segunda metade do século XX, condição indispensável para a constituição do que chamamos de cidadania. Cada vez mais pensar a comunicação no mundo atual é pensar os parâmetros constitutivos dessa realidade cultural denominada mundo humano. Hoje, é possível justificar o acesso aos meios de comunicação como um direito humano, que ultrapassa aquele sentido de livre expressão posto pelo iluminismo. O direito à comunicação no mundo globalizado refere-se, não apenas, ao direito às informações, mas ao acesso aos bens multiculturais da humanidade, à cultura crítica colocada a serviço da real aplicação dos direitos humanos civis, políticos, econômicos, sociais e os próprios culturais".


Em nossa disciplina de Comunicação e Cidadania, teremos que visitar com olhos críticos a comunidade escolhida pelo grupo (eu, Fábio e Barbara) : a Prainha.
Segue abaixo o relato da nossa primeira vivência, que, por sinal, foi bastante interessante e estimulante para prosseguirmos com êxito em nosso trabalho.

Relatório:

Ao escolhermos o bairro da Prainha em Vila Velha, nem imaginávamos o que encontraríamos pela frente. O bairro - histórico por ser o local onde Vasco Fernandes Coutinho desembarcou com sua caravela - apesar de não apresentar-se como periférico mostra muitas deficiências, que ficam ainda mais explícitas quando conversamos com seus habitantes.
Durante a nossa primeira visita à “Prainha” (segundo alguns moradores nos registros da PMVV a Prainha não consta como bairro emancipado e faz parte do que chamamos de Centro de Vila Velha), percebemos que os moradores, são carentes de atenção por parte das autoridades, alguns inclusive completamente desiludidos.
A primeira visita aconteceu num sábado, dia em que muitos tem o costume de ir ao Convento da Penha, e por isso, logo em nossa chegada percebemos uma grande movimentação nas imediações do local, muitos carros e ônibus turísticos além de muitas pessoas a pé que caminhavam em direção ao convento. Por se tratar de um dos mais importantes pontos turísticos do estado, não foi de se estranhar tal movimentação.
Estranho mesmo, foi continuar nossa visita e encontrar o enorme Parque da Prainha praticamente abandonado. Em um dia em que comumente muitas famílias saem em busca de lazer, encontramos um local deserto onde quadra poli esportiva, e outros espaços que poderiam estar sendo bem utilizados estão na verdade se deteriorando pela falta de atitude de um movimento comunitário atuante e dos nossos governantes.
A população de rua é muito grande, o que fatalmente faz os números da violência também crescerem. Segundo alguns dos moradores e comerciantes da região com quem conversamos, tudo começou à cerca de 5 anos quando a Secretaria de Indústria e Comércio deixou de cuidar do Parque da Prainha. Apenas um quiosque e um restaurante funcionavam, o restante segundo os relatos ouvidos servem hoje em dia de moradia para os moradores de rua.
Esses mesmos moradores, com quem conversamos, relataram que nenhuma medida é tomada por parte da prefeitura ou do governo do estado, menos ainda pela associação de moradores, que para alguns, faz com que as melhorias no bairro fiquem ainda mais difíceis.
Outro problema citado pelos moradores, foi o fechamento do Terminal Aquaviário, que além de deixar muitas pessoas desmpregadas, fez diminuir o movimento da região e prejudicou o crescimento do bairro, o que prejudicou ainda mais os comerciantes e os pescadores da região. Apesar de todos esses problemas, outra coisa que percebemos, é que muitos dos principais órgãos de serviço ficam situados na Prainha, ente eles: Procon, Câmara de Vereadores e o Fórum de Vila Velha, na Prainha estão ainda, o 38º Batalhão de Infantaria - construído estrategicamente em uma posição de defesa de nosso território em caso de guerras que pudessem ocorrer - e a famosa Igreja do Rosário, uma das mais antigas do estado.
Muitos dos moradores da Prainha são pessoas simples, vimos bastante idosos. Sentados nos bancos, caminhando na praça central ou mesmo na Igreja. As casas da Prainha, mesclam o estilo clássico das construções do inicio do século e algumas obras mais modernas. Foi bonito ver que mesmo aquelas que mantêm o velho estilo estão bem cuidadas, algumas foram restauradas e fazem parte do patrimônio histórico do município.
Verificamos uma comunidade que precisa de uma voz ativa, ávida por mudanças, mas desiludida e sem saber onde buscar por isso, já que aqueles que deveriam estar olhando e falando por eles não o fazem. Tivemos a oportunidade de conhecer pessoas muito gentis como o pescador Rabicó, o seu Chico do restaurante, e a dona Lili do armarinho. Dava para ver um brilho em seus olhares, brilho que só é possível de se ver nos olhos de quem realmente querem o bem do bairro em que estão há mais de 20 anos, prestativos nos deram muitas informações importantes e que vão ajudar muito no rumo de nosso trabalho.
(Fábio Faé e Letícia Freire)


Postado por Letícia.


Boa sorte a todos os grupos!!!

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