quarta-feira, 24 de outubro de 2007

COMPORTAMENTO

HOMENS CAPIXABAS NÃO SE DEDICAM ÀS ATIVIDADES DOMÉSTICAS

"Se morasse sozinho, eu contrataria uma diarista. Acho que as mulheres têm mais facilidade para fazer os trabalhos domésticos. Lavar banheiro, lavar casa, é complicado", é o que afirma o estudante Luiz Filipe Pereira, de 22 anos.
Lendo assim, parece até um pensamento medieval, certo? Errado. Ainda no século XXI, é muito comum ver homens que acreditam que lugar de mulher é na cozinha. Segundo o sociólogo Timóteo Camacho, esta idéia é um resquício da cultura colonial brasileira. "Os homens não participam do trabalho doméstico devido ao machismo, a cultura androcêntrica que se perpetua na sociedade, e também a desvalorização de qualquer que seja o trabalho manual", explica o sociólogo.
A dona de casa Izabel Christina Lamego, diz que este comportamento incomoda as mulheres. "Acho que todos tinham que cooperar. A maioria tem preconceito, principalmente os homens mais velhos. Eu achava que dependia da criação, mas com o passar do tempo percebi que vai de acordo com a personalidade da pessoa”, confirma Izabel.
Uma pesquisa divulgada este ano pelo IBGE aponta que apenas 35% dos homens ajudam nos afazeres domésticos. Dos quase 110 milhões de brasileiros que declararam realizar tarefas domésticas, apenas 35% são homens. No Espírito Santo, a proporção de homens que se dedicam às atividades do lar ficou abaixo da média nacional. Enquanto no Brasil 51,1% de homens participam dessas atividades, os capixabas correspondem a apenas 47,8%. Izabel Christina lembra que passou três meses na Nova Zelândia, onde os homens costumam colaborar com a mulher. "Se é a esposa que vai pra cozinha, o marido que lava a louça", conta a dona de casa, mãe de dois filhos. "Lá em casa, nem meu marido e nem o meu filho de 18 anos me ajudam com as tarefas". No Estado, os homens dedicam 9 horas e meia ao lar, enquanto as mulheres gastam 24 horas semanais.
A pesquisa apontou que quanto mais escolarizado for o homem, mais ele ajuda dentro de casa. É o caso do universitário Raphael Marques, que mora de favor na casa da tia e sente obrigação de ajudá-la com as tarefas do lar. "Todo dia antes de ir para a faculdade eu arrumo meu quarto, arrumo minha cama. Quando chego da faculdade, minha tia já saiu para trabalhar. Então, sempre depois do almoço eu lavo a louça, porque me sinto na obrigação de ajudar", diz Raphael.
Definir se este é um comportamento cultural, de criação, ou se faz parte da personalidade do indivíduo, não é uma tarefa fácil. Segundo o sociólogo Timóteo, é bem provável que este problema histórico esteja relacionado com a necessidade dos homens mostrarem que podem realizar tarefas que, para eles, são mais importantes na sociedade, ao invés de limpar o chão e varrer a casa.
Talvez este total de 47,8% registrado no ES já seja um número elevado para tal pesquisa.

Gustavo Rocha e Letícia Freire.

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